Fotos dos móveis de 1923 do Casarão Branco, cedidas pelo Sr Jorge de Azevedo Pires. Atualmente se encontram em Ribeirão Preto/SP

Foto: internet

Foto: Victor Hugo Mori


Bolsa Café Santos - Atual Museu do Café de Santos 



Materiais Utilizados


Ainda hoje a incursão ao interior surpreende qualquer visitante pelo requinte e qualidade dos materiais empregados, sobretudo no grande salão do pregão onde no passado funcionou o pregão - diversidade decorativa presente no extenso painel pintado por Benedicto Calixto, na clarabóia de vitral realizado pela Casa Conrado e nos pisos de mármores constituindo um imenso mosaico em diversas cores e formas. Enfim, serviços artísticos terceirizados pela Construtora de Santos visando estabelecer relativa independência da parte civil.

No térreo e na galeria do pregão concentrou-se grande número de empresas especializadas em acabamento: os elementos decorativos de gesso, parte dos lambris de madeira e os vidros coloridos foram feitos pela Sociedade Artes Decorativas de São Paulo; o mobiliário pelas Móveis Blumenschein; outra parte dos lambris e divisórias pela Marcenaria Costillas; a porta de embuia era de autoria da Oficina A. Grandi. O restaurante e os demais espaços do atico foram realizados pela Companhia Bettenfelf, do Rio de Janeiro, que se encarregou de fazer todo o tipo de acabamento: forro, piso, estuque de gesso, pintura, mobiliário etc.

Para a fachada, a Construtora de Santos adquiriu granito-rosa de Salto de Itu, desenhados pelo arquiteto E. Chaineux e executados pelos canteiros Antônio e José Longobardi. O revestimento de argamassa raspada e a modelagem ficaram sob responsabilidade de José Gerbi, e o estuque foi realizado por Nordino Mônaco, baseado no risco do arquiteto Gross. As cúpulas de cobre foram projetadas e executadas por F. Haucke (Ceva, p. 43).



Fonte:   www.eniopadilha.com.br/artigo/340/predio-da-bolsa-do-cafe--patrimonio-nacional-novo-milenio



Casarão Branco - Atual Pinacoteca Benedito Calixto de Santos/SP ​


A PARTE BAIXA

O estilo usado em toda a decoração foi o art nouveau. O mobiliário foi todo confeccionado pela marcenaria de Nicácio Costillas e Filho, verdadeiros artistas no ramo de móveis.

A sala de jantar em cabriúva, madeira de lei, toda entalhada com motivo de frutas, trabalho reproduzido nos rodapés de toda a sala. Compunha-se de grande mesa oval com poltronas arredondadas, estofadas em fino couro marrom. O móvel destinado às louças e cristais tinha seis metros de extensão.

No centro, um grande espelho; de cada lado, um móvel com gavetas, encimado por grande quadro decorativo, entalhado à mão por Nicácio Costillas Júnior. Terminava com cristaleiras altas, com várias prateleiras.

Na parede fronteiriça, um étager, móvel com portas e prateleiras internas, os lados arredondados. Era encimado por grande espelho, ao invés de quadro entalhado.

Uma porta de vaivém, ou seja, de molas, toda entalhada e ornada com uma parte em vitral colorido, vedava a passagem para a copa.

No canto oposto, um relógio dentro de móvel todo entalhado, acompanhando os demais, com pêndulos e correntes em dourado. As suas badaladas eram emocionantes.

Nos seis espaços vazados da sala de jantar para o corredor, para o jardim de inverno e sala de visitas, havia vitrais coloridos.

Essa mobília, quando saímos do casarão, esteve guardada algum tempo. Depois foi desmembrada. Uma parte, compondo uma nova mobília de sala de jantar, encontra-se com um sobrinho residente em Ribeirão Preto, Jorge de Azevedo Pires. Tenho em minha casa um móvel também remanescente desse mobiliário.

A sala nobre era no estilo Luiz XV, com dois consoles e grandes espelhos, onde se viam cordões de flores entalhados em madeira, cadeiras muito graciosas forradas em fino tecido com suaves flores.


Fonte: 


 www.novomilenio.inf.br/santos/fotos144z04.htm


Parte do livro: Memórias do Casarão Branco, escrito pela historiadora Edith Pires Gonçalves Dias.


Família Costillas.

Carta enviada à meu avô Armando Costillas na Revolução Paulista de 1932.

          A Casa Costillas.


          Fundada no início do século XX pelo Sr. Nicácio Costillas na cidade de Santos/SP, era reconhecida pela elevada qualidade de seus móveis em estilos Art Nouveau, Luis XV dentre outros estilos clássicos. Trabalhos desta marcenaria compuseram originalmente o Casarão Branco, atualmente Pinacoteca Benedito Calixto de Santos e a Bolsa de Café de Santos inaugurada em 1922, atual Museu do Café de Santos. Ainda preservo um dormitório completo, presente de meu bisavô para meus avós, Armando Costillas e Rosa Pillon Costillas, pelo seu casamento na década de 1940. 

         Como bisneto do Sr. Nicácio Costillas, tenho a honra de utilizar este nome como forma de homenagem e continuidade, produzindo um mobiliário contemporâneo, atento à necessária responsabilidade social e ambiental, valorizando o fazer artesanal do ofício de marceneiro.


        Tenho como proposta central desenvolver mobiliário e luminárias em pequena escala, peças únicas e encomendas especiais, sempre alinhados com o conceito da marcenaria, pautado em explorar a variedade de madeiras brasileiras em suas cores, texturas e densidades, produzindo peças duradouras. Este conceito começa na escolha da madeira, passando pelo desenho, estrutura, até o acabamento.


      O eixo criativo busca referências no passado, resgatando técnicas e soluções construtivas e trazendo-as para um desenho contemporâneo.


      Minha inspiração vem dos costumes e raízes brasileiras, onde proponho além de projetos funcionais e simples, um consumo consciente e racional. A idéia é que as peças possam despertar uma sensação de aconchego com simplicidade, a partir do resgate de memórias afetivas.



                     
Danilo Costillas Atui
​Brasil, 2015